sexta-feira, 1 de abril de 2011

A BUSCA POR MUDANÇA


Prof. Sílvio Duarte dos Santos - Betim - MG

Através da indicação de uma amiga pedagoga, fui participar de um seminário de YOGA em julho de 2009, na cidade de Pedro Leopoldo. Lá, fiquei sabendo do Curso RYE (RYE: Recherche sur le Yoga dans l'Education - "Pesquisa sobre o Yoga na Educação") para professores, composto de quatro módulos, com início em 2009.

Mesmo não sendo praticante de Yoga, me propus a fazer o curso e agora estou concluindo. Percebi que seria muito bom para mim e para meus alunos, desde que eu levasse para a sala de aula o que eu estivesse aprendendo. Essa novidade eu não poderia perder, mesmo sabendo que teria um custo a pagar pelo curso, sem ajuda da secretaria de educação, nem das unidades escolares em que trabalho.

Segundo Micheline Flak e outros autores, a dispersão mental é um mal que solapa as energias das novas gerações. Este assunto é tratado por Augusto Kuri como SPA (Síndrome do Pensamento Acelerado), ou seja, uma superexcitação da mente.

Nas escolas, os educadores percebem que a dispersão mental tem sido uma das principais causas do fracasso escolar gerando uma crise de inteligência na escola. É grande o desejo de recuperar a atenção dos alunos. O Yoga se apresenta como sendo um campo de ação humana que mais tem contribuído para esclarecer e fornecer as condições essenciais para manter a concentração.

Todos sabem que não basta ler, ouvir ou transcrever um texto para se poder dizer que o conteúdo foi apreendido. É necessário processar a informação internamente e operar um ‘gerenciamento mental’, como se faz um computador.

O professor, no entanto, precisa conhecer bem os mecanismos de apropriação interna dos conhecimentos para ser capaz de ensinar aos alunos como aprender bem. Acalmar a mente é a primeira etapa. Depois, permanecer consciente para reproduzir internamente as sensações ou os conceitos.

O nosso desafio é unificar a mente dispersa da criança para facilitar a aprendizagem. Se a mente da criança é mal-preparada por fatores familiares, sociais e endócrinos, devemos procurar corrigir estas desordens através de meios adaptados, agindo imediatamente através de meios simples sobre o próprio ser criando na criança um estado de recentramento.

Os estudos e práticas realizadas durante este período do curso me trouxeram um novo olhar sobre mim mesmo, sobre os alunos e as práticas de ensino desenvolvidos nas escolas em que trabalho. Aprendi, e estou aprendendo a cada dia, que educar é arte. Ensinar conteúdos e despertar os alunos para novas aprendizagens exige um constante desejo de mudanças e de iniciativas que levem ao encontro da realização das idéias e sonhos.

Inicialmente, buscando algo para mim mesmo através de um seminário de estudos em Yoga, tomei conhecimento do curso, fiz a inscrição e freqüentei os estudos realizados. Conheci muitos professores, quase todos em atividade escolar, que também estão agindo para as transformações que desejam em si mesmos e em seus alunos para o desenvolvimento da aprendizagem de forma mais prazerosa e eficiente.

As práticas de boa postura, respiração e concentração citadas no meu trabalho final e que foram praticadas no curso têm proporcionado em mim mesmo os benefícios já expostos. Nas escolas, com os alunos que já começaram (ainda não iniciei com todas as turmas – 12 ao todo, num total de 360 alunos em média), percebo em minhas aulas uma boa melhora na alegria e disposição para freqüência e participação dos exercícios de yoga e na realização das tarefas escolares.

“Professores também necessitam aprender a relaxar.” Com certeza esta afirmação é verdadeira. Percebo isso todos os dias e estou aprendendo a fazer isto comigo mesmo. Por enquanto, iniciei neste novo caminho e espero que outros colegas também venham participar dessas novas aprendizagens que trazem muitos benefícios pra gente mesmo.